logo

Erupção cutânea prejudica saúde mental do doente

A erupção cutânea, resultante da comichão e, em situações mais graves, o desenvolvimento de infeções nas feridas, são uma realidade comum aos doentes com dermatite atópica. Uma doença de pele complexa e que está associada a questões ambientais e também a fatores genéticos. “Os tratamentos passam pelo recurso a anti-histamínicos, corticóides e imunossupressores”, explicou ao CM a alergologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Marta Neto. Um número crescente de especialistas defende que a dermatite atópica é mais do que uma doença de pele, crónica e que não é contagiosa. Entendem que a maior parte dos doentes são afetados na sua saúde mental, pela irritação e cansaço permanentes. Nos Estados Unidos, 92 642 crianças participaram num estudo em que se procurou provar que os menores com dermatite atópica são mais propensos a sofrer de desordens mentais. Das crianças observadas, 13% relataram a ocorrência de episódios de dermatite atópica nos últimos 12 meses. Em 67%, a manifestação foi suave, em 26%, moderada, e em 7%, severa. Para o coordenador da avaliação, realizada entre 2007 e 2013, ficou provada a associação. Eric Simpson, da Universidade de Saúde e Ciência de Portland, no Estado norte-americano de Oregon, referiu que “os riscos para a depressão, a ansiedade, a desordem da conduta, e o autismo aumentaram. Com a realização de tratamentos verificou-se, por sua vez, um recuo”. RELACIONADAS SociedadeINFOGRAFIA Diagonóstico de doença de pele pode levar anos “O bebé está em permanente sofrimento perante a comichão” A doença surgiu ainda a menina era bebé, tinha apenas dois meses. “Começaram por surgir uns pequenos eczemas nas dobrinhas da pele, que rapidamente se espalharam a todo o corpo”, explicou a mãe, Verónica Wing. “A evolução da doença não é linear. O verão e a consequente subida da temperatura é favorável a um melhor bem-estar”, referiu Verónica, que encontra na noite as maiores dificuldades. “É a comichão permanente e a nossa preocupação em segurar-lhe as mãos e hidratá-la. Depois as noites mal dormidas acabam por levar a dias muito cansativos, tanto para a bebé, como para nós”, disse. Associação reclama maior apoio social “Desenvolver esforços para a prestação de apoios aos doentes de dermatite atópica, em particular à população mais carenciada” é um dos objetivos da Associação de Dermatite Atópica de Portugal (ADERMAP), segundo explicou a sua presidente, Joana Camilo. “Uma das maiores dificuldades que se coloca é a compra de produtos hidratantes. Os doentes têm maiores necessidades, nem todos os cremes se adaptam e não há comparticipação do Estado para um gasto mensal superior a 100 euros”, disse. “A nossa mensagem é de esperança” Pedro Mendes Bastos, Médico dermatologista CM – Há um número crescente de casos e também mais doentes que procuram ajuda? Pedro Mendes Bastos – Há cada vez mais doentes. A prevalência está a aumentar. E, com a evolução das condições de vida, as pessoas procuram respostas para um problema que tem um impacto negativo na vida. – Há uma melhor resposta para a dermatite atópica? – A nossa mensagem é de esperança. Dizemos aos doentes para procurarem ajuda. Existem diversos tratamentos e estamos numa fase de viragem. Estão a surgir novos medicamentos. – Os doentes retiram vantagens da formação de uma associação? – As associações têm um papel fundamental, nos contactos com as autoridades para uma maior comparticipação de medicamentos e na prestação de cuidados de saúde. – A sociedade tem um medo infundado no contágio? – Não é uma doença contagiosa. Afeta o próprio mas não tem impacto no próximo. As pessoas temem a alteração na pele.

Fonte: https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/erupcao-cutanea-prejudica-saude-mental-do-doente

  • Share

Comments are closed.